quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Os carros, a velha e o policia

Hoje, quando caminhava para o trabalho, vi uma cena que de tão caricata parecia orquestrada para se ver.
Numa rua de Lisboa, atolhada de carros estacionados na noite anterior e que ainda não partiram para o trabalho, um polícia multava os que estavam nitidamente em transgressão, ou seja, quase todos.
Ao mesmo tempo uma velhota, muito velhota, saía de sua casa e olhava em redor a tentar descurtinar como raio conseguiria escapar-se ao labirinto de viaturas, que estacionadas à sua porta a impediam de passar.
O policia olhava para a velhota, olhava para os carros, olhava para o papel e caneta. Eu passei e olhámos uns para os outros. Ofereci o meu braço, para que a velha descesse a rua inclinada e cheia de viaturas em segurança, a velha sorriu e agradeceu e o policia olhou para nós e quem sabe, gostou um bocadinho mais do seu trabalho, hoje. Amanhã ao multar carros noutra rua, talvez se lembre de nós, talvez se lembre que a cidade é das pessoas e não dos carros.